Mostrando postagens com marcador Irene Machado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Irene Machado. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Romance

Bibliografia Sobre Romance


BAKHTIN, Mikhail. “A pessoa que fala no romance” e “Epos e Romance” in Questões de Literatura e de Estética. Trad. Aurora F. Bernardini et alli. A Teoria do Romance. 2ª ed. São Paulo: UNESP / Hucitec, 1990.

BENJAMIN, Walter. “A crise do romance. Sobre Alexanderplatz, de Döblin”, “Experiência e Pobreza” e “O Narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov” in Magia e Técnica, Arte e Política. 5ª ed. Trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1993. (Obras Escolhidas, v 1).

CÂNDIDO, Antonio et al. “A Personagem do Romance” in A Personagem de Ficção. 9ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1992. (Col. Debates 1).

FORSTER, Edward. Aspectos do Romance. 2ª. Trad. Maria Helena Martins. São Paulo: Globo, 1988.

LUKÁCS, Georg. “Narrar ou Descrever” in Ensaios Sobre Literatura. 2ª ed. Coordenação e Prefácio de Leandro Konder. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

LEITE, Lígia Chiappini Moraes. O Foco Narrativo. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1991. (Série Princípios).

MACHADO, Irene. “O Cronotopo” in O Romance e a Voz. A prosaica Dialógica de M. Bakhtin. Rio de Janeiro: Imago, São Paulo: FAPESP, 1995.

SANTIAGO, Silviano. “Prosa literária atual no Brasil” e “O narrador pós-moderno” in Nas Malhas da Letras. Ensaios. São Paulo: Cia das Letras, 1989.

SANTOS, Luís Alberto B. e OLIVEIRA, Silvana P. “Espaço e Literatura” in Sujeito, Tempo e Espaços Ficcionais. Introdução à Teoria da Literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

WATT, Ian. “O realismo e a forma romance” in A Ascensão do Romance. Trad. Hildegard Feist. dSão Paulo: Cia, das Letras, 1990.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bibliografia para Seminários

Prática de Ensino II

A Tradição Oral e o Conto Popular
O Conto Maravilhoso e a Fábula
Saga e Discurso Indireto
Mito e Discurso Narrativo



BACELAR, Agatha Pitombo. “Os homens são como os animais? O uso da fábula em Os trabalhos e Os dias” in Calíope. Presença Clássica. N II. Rio de Janeiro: UFRJ/ 7 Letras, 2003.

BAKHTIN, Mikhail. “Discurso Indireto, Discurso Direto e suas variantes” in Marxismo e Filosofia da Linguagem. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, 1981.

BENJAMIN, Walter. “O Narrador” in Magia e Técnica, Arte e Política. Obras escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1993.

BARTHES, Roland. “O Mito, Hoje” in Mitologias. 4ª ed. São Paulo - Rio de Janeiro: Difel, 1980.

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Editora Palas Athena, 1990.

CARDOSO, Zélia de Almeida. “Segurança e Aventura: o dualismo do homem nos velhos mitos” in Calíope. Presença Clássica. N 16. Rio de Janeiro: UFRJ/ 7 Letras, 2007.

CASCUDO, Câmara. A Literatura Oral no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984.

_____ Contos Tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1967.

CASSIRER, Ernest. “A Linguagem e o Mito: sua posição na cultura humana” in Linguagem e Mito. São Paulo: Perspectiva, 1972.

CHIAMPI, Irlemar. O Realismo Maravilhoso: forma e ideologia no romance hispano-americano. São Paulo:Perspectiva, 1980.

FERREIRA, Jerusa Pires. Armadilhas da Memória (Conto e Poesia Popular). Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 1992.

FERREIRA, Marieta de M., AMADO, Janaína. Usos e Abusos da História Oral. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1996.

FLORES, Conceição. “O mito” in Do mito ao romance: uma leitura do Evangelho Segundo Saramago. Natal: EDUFRN, 2000.

GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da Mitologia Grega. São Paulo: Cultrix, s/d.

JABOUILLE, Victor. Do mythos ao mito. Lisboa: Cosmos, 1993.

JOSEF, Bella. “Realismo mágico e fantástico” in Romance Hispano-Americano. São Paulo: Ática, 1986.

MACHADO, Irene A. Literatura e Redação. Conteúdo e Metodologia da Língua Portuguesa. São Paulo: Scipione, 1994.

_____ “O romance como gênero oral” in O Romance e a Voz. A prosaica dialógica de Mikhail Bakhtin. Rio de Janeiro: Imago/ São Paulo: Fapesp, 1995.

MIELITINSKI, E. M. A Poética do Mito. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense – Universitária, 1987.
.
ROCHA, Everardo. O Que é Mito. São Paulo: Brasiliense, 1985. (Col. Primeiros Passos 151)

RODRIGUES, Maria Isaura Pereira. “Cordel: artesanato de linguagem” in Revista Acervos Literários. V. 2 – n 2. Marina: UFOP, 2001.

RODRIGUES, Selma Calasans. O Fantástico. São Paulo: Ática, 1988. (Série Princípios).

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e pensamento entre os gregos. São Paulo: Difusão Européia do Livro / EDUSP, 1973.

VIEIRA, Ana Thereza Basílio. “Aviano: uma nova perspectiva para as fábulas latinas” in Calíope. Presença Clássica. N II. Rio de Janeiro: UFRJ/ 7 Letras, 2003.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Duas Lendas






As lendas contribuíram bastante para a Literatura Brasileira, já que muitos de nossos romances foram escritos com base em algumas lendas típicas de nossa cultura. Podemos citar, por exemplo, romances de José de Alencar como Iracema, O guarani; de Mário de Andrade, como Macunaíma.

MACHADO, Irene. Literatura e redação. São Paulo: Editora Scipione, 1994, p. 105-106.

A LENDA DA VITÓRIA RÉGIA

A enorme folha boiava nas águas do rio. Era tão grande que, se quisesse, o curumim que a contemplava poderia fazer dela um barco. Ele era miudinho, nascera numa noite de grande temporal. A primeira luz que seus pequeninos olhos contemplaram foi o clarão azul de um forte raio, aquele que derrubara a grande seringueira, cujo tronco dilacerado até hoje ainda lá estava. “Se alguém deve cortá-Ia, então será meu filho, que nasceu hoje”, falou o cacique ao vê-la tombada depois da procela. “Ele será forte e veloz como o raio e, como este, ele deverá cortá-Ia para fazer o ubá com que Iutará e vencerá a torrente dos grandes rios... " Talvez, por isso, aquele curumim tão pequenino já se sentisse tão corajoso e capaz de enfrentar, sozinho, os perigos da selva amazônica. Ele caminhava horas, ao léu, cortando cipós, caçando pequenos mamíferos e aves; porém, até hoje, nos seus sete anos, ainda não enfrentara a torrente do grande rio, que agora contemplava. Observando bem aquelas grandes folhas, imaginou navegar sobre uma delas, e não perdeu tempo. Pisou com muito cuidado – os índios são sempre muito cautelosos – e, sentindo que ela suportava o seu peso, sentou-se devagar, e, com as mãozinhas improvisou um remo. Desceu rio abaixo. É verdade que a correnteza favorecia, mas, contudo, por duas vezes quase caiu. Nem por isso se intimidou. Navegou no seu barco vegetal até chegar a uma pequena enseada onde avistou a mãe e outras índias que, ao sol, acariciavam os curumins quase recém-nascidos embalando-os com suas canções, que falam da lua, da mãe d’água do sol e de certas forças naturais que muito temem. Saltando em terra, correu para junto da mãe, muito feliz com a façanha que praticara: – Mãe, tenho o barco. Já posso pescar no grande rio?– Um barco? Mas aquilo é apenas um uapê; é uma formosa índia que Tupã transformou em planta.– Como, Mãe? Então não é o meu barco? Você sempre me disse que eu um dia haveria de ter meu ubá...– Meu filho, o teu barco, tu o farás; este é apenas uma folha. É Naia, que se apaixonou pela lua...– Quem é Naia? – perguntou curioso o indiozinho.– Vou contar-te... Um dia, uma formosa índia, chamadaNaia, apaixonou-se pela lua. Sentia-se atraída por ela e, como quisesse alcançá-la, correu, correu, por vales e montanhas atrás dela. Porém, quanto mais corriam, mais longe e alta ela ficava. Desistiu de alcançá-la e voltou para a taba. “A lua aparecia e fugia sempre, e Naia cada vez mais a desejava.” “Uma noite, andando pelas matas ao clarão do luar, Naia se aproximou de um lago e viu, nele refletida, a imagem da lua.”Sentiu-se feliz; julgou poder agora alcançá-la e, atirando-se nas águas calmas do lago, afundou. “Nunca mais ninguém a viu, mas Tupã, com pena dela, transformou-a nesta linda planta, que floresce em todas as luas. Entretanto uapê só abre suas pétalas à noite, para poder abraçar a Iua, que se vem refletir na sua aveludada corola. “– Vês? Não queiras, pois, tomá-la para teu barco. Nela irás, por certo, para o fundo das águas.”“Meu filho, se te sentes bastante forte, toma o machadoe vai cortar aquele tronco que foi vencido pelo raio. Ele é teu desde que nasceste. Dele farás o teu ubá, então, navegarás sem perigo. “Deixa em paz a grande flor das águas...”Eis aí, como nasceu da imaginação fértil e criadora de nossosíndios, a história da vitória-régia, ou uapê,ou iapunaqueuapê, a maior flor do mundo.

A LENDA DO PAPAGAIO CRÁ-CRÁ

Conta a lenda que, antigamente, morava em um vilarejo um menino muito guloso. Tudo que via, queria comer, e a gula era tanta, a pressa de comer era tamanha, que ele tinha costume de engolir a comida sem mastigá-la.Uma vez sua mãe encontrou frutos de batoí e assou-os na cinza. O filho, sem querer esperar, comeu todos os frutos, tirando- os diretamente do fogo e, como sempre, engoliu-os sem pestanejar.Os frutos do batoí são frutos cuja polpa viscosa se mantém quentíssima por muito tempo. Comendo-os tão quentes, sapecaram-lhe a garganta, de forma que doía muito e queimavam-lhe o estômago.O menino, tentando vomitar os frutos comidos, começou a fazer força para expulsá-los. Arranhava a garganta grunhindo crá-crá-crá! Mas os frutos não saíam... e entalaram na garganta, sufocando-o.No mesmo momento, cresceram-lhe as asas e as penas e ele tornou-se um papagaio. Voou pra longe.Até hoje se pode ouvi-lo vagando pelas matas do lugar, voando e gritando “crá-crá-crá”!